Atividade Outdoor: Alunos do 10.º Ano participam em Dinâmica Interdisciplinar no Recinto Escolar
No passado dia 2 de junho, realizou-se nos espaços exteriores do recinto escolar uma atividade outdoor dinamizada pela equipa educativa do 10.º ano de escolaridade. A iniciativa, que envolveu todos os alunos dos cursos científico-humanísticos deste nível de ensino, teve como principal objetivo promover a aprendizagem ativa, o trabalho colaborativo e o fortalecimento das relações interpessoais.
A atividade teve origem na participação de docentes do Gabinete de Apoio e Monitorização de Projetos Internacionais, numa ação de formação internacional dedicada à aprendizagem em espaços exteriores (Outdoor Learning), frequentada no âmbito da Acreditação Erasmus+. Inspirada nas metodologias e estratégias pedagógicas exploradas durante essa formação, a Equipa Educativa do 10º ano concebeu uma experiência que permitisse levar a aprendizagem para além da sala de aula, valorizando a interdisciplinaridade, a participação ativa dos alunos e a exploração do espaço escolar como contexto educativo.
Organizados em equipas heterogéneas, os participantes percorreram seis estações temáticas, concebidas pelos professores da equipa, onde foram desafiados a resolver problemas, realizar atividades práticas e refletir sobre diferentes áreas do conhecimento.
Na estação "A Biodiversidade à Nossa Volta", os alunos exploraram a riqueza biológica existente no recinto escolar, identificando espécies através de aplicações digitais e reconhecendo a importância da preservação da biodiversidade e dos ecossistemas locais.
Em "A Química do Nosso Chão", investigaram as características dos solos através da realização de análises químicas, nomeadamente a determinação do pH, compreendendo melhor a sua composição, propriedades e influência no desenvolvimento das plantas.
A estação "Matemática à Luz do Sol" proporcionou a aplicação de conceitos matemáticos a situações concretas do quotidiano, recorrendo à medição de sombras para calcular alturas e demonstrando, de forma prática, a presença da matemática no mundo que nos rodeia.
Em "O Lugar e o Ser", os participantes foram convidados a refletir sobre a relação entre as pessoas, os espaços e as comunidades, promovendo o desenvolvimento da consciência social, do sentido de pertença e da valorização do meio envolvente.
A atividade física, os conceitos de Física e Química e a promoção do bem-estar estiveram em destaque na estação "Descarregar Energia no Espaço Escolar", onde os alunos realizaram desafios que combinaram movimento, cooperação e espírito de equipa com a aplicação de conhecimentos científicos relacionados com velocidade, energia e movimento.
Por fim, na estação integradora "A Escola do Futuro", cada grupo teve a oportunidade de refletir sobre a evolução histórica da educação, do pensamento crítico e da sociedade, reunindo ideias e propostas para imaginar uma escola mais inclusiva, sustentável, inovadora e preparada para responder aos desafios das próximas gerações.
Ao longo de toda a atividade, destacou-se o entusiasmo, a criatividade e o elevado envolvimento dos alunos, que demonstraram excelentes capacidades de colaboração, comunicação e resolução de problemas. Esta experiência permitiu não só consolidar aprendizagens de diferentes áreas disciplinares, mas também fortalecer os laços entre estudantes de diferentes turmas e cursos, contribuindo para a construção de uma comunidade educativa mais coesa e participativa.
A iniciativa constituiu ainda um exemplo concreto do impacto positivo que os projetos de formação e mobilidade Erasmus+ podem ter na inovação pedagógica da escola, transformando experiências de desenvolvimento profissional dos docentes em oportunidades enriquecedoras de aprendizagem para os alunos.
No âmbito do projeto Erasmus+ “Local Voices to European Colours”, realizou-se uma atividade de disseminação que reuniu alunos, encarregados de educação, familiares, professores, representantes de instituições locais e antigos alunos, num momento de partilha, valorização do património e celebração da identidade cultural.
Ao longo da sessão, os alunos, Ana Morais (12ºB), Duarte Castro (10ºB), Gonçalo Gonçalves (10ºE), Lara Rodrigues (10ºD), Luana Lopes (10ºE), Leonor Ribeiro (10ºB), Maria João Pinto (10ºC) e Rui Veiga (12ºB), apresentaram o trabalho desenvolvido durante o projeto, dando a conhecer os documentários produzidos sobre lendas e tradições locais, bem como as entrevistas realizadas a diversos elementos da comunidade educativa e da comunidade envolvente. Estes testemunhos permitiram preservar memórias, histórias e saberes que constituem uma parte importante da identidade local, reforçando a ligação entre gerações.
A iniciativa foi igualmente marcada por momentos de música e dança tradicional que evidenciaram a riqueza das manifestações culturais da região. Um dos pontos altos do evento foi a dramatização do livro “A avó não viveu na Idade Média… ou viveu? – Um passeio divertido pela Rota do Românico”, uma obra criada pelos próprios alunos e apresentada no âmbito do Concurso Escolar da Rota do Românico, subordinado ao tema “A Sociedade na Idade Média”. Esta criação refletiu a criatividade, o espírito colaborativo e o interesse dos jovens pela valorização do património histórico e cultural.
Durante a sessão, foi também partilhada a experiência vivida pelos participantes na mobilidade Erasmus+ realizada entre 19 e 25 de abril em Atenas, onde tiveram oportunidade de contactar com uma escola parceira com quem trabalharam a mesma temática. O intercâmbio com esta escola e com outras de Espanha e Chipre, ao longo do ano letivo através da plataforma eTwinning, permitiu aprofundar o conhecimento mútuo sobre mitos, tradições e cultura locais, trocar metodologias de trabalho e descobrir semelhanças e diferenças os países envolvidos, fortalecendo o sentimento de cidadania europeia e de pertença a um património cultural comum.
Esta atividade constituiu um momento privilegiado de divulgação dos resultados do projeto, demonstrando que as vozes locais podem ganhar dimensão europeia quando são partilhadas, valorizadas e colocadas em diálogo com outras culturas. O entusiasmo e a participação de toda a comunidade confirmaram o sucesso da iniciativa e reforçaram a importância de continuar a promover projetos que unem escola, património e cooperação internacional.
"Local Voices to European Colours: O eco da nossa cultura no berço da democracia"
Oito alunos. Duas professoras. Sete dias que valem por anos.
Sabem aquela sensação de que o mundo é pequeno demais para os nossos sonhos? Foi exatamente isso que sentimos. Entre 19 e 25 de abril, o projeto Erasmus+ “Local Voices to European Colours” ganhou vida nas ruas de Atenas.
Concebido por nós, alunos, este projeto levou-nos à capital grega acompanhados pelas professoras Isabel Gonçalves e Sandra Silva, com a missão de mostrar que as nossas raízes locais nos dão o chão para descobrir o mundo.
Antes mesmo de partirmos, já a viagem tinha começado. Dinamizámos atividades preparatórias, em conjunto com os membros do projeto dos vários países e no nosso contexto local. E o trabalho começou em casa, a "escavar" as nossas raízes. Na nossa escola e na nossa comunidade, recolhemos memórias, tradições e vozes. Falámos com instituições, associações culturais, familiares de diferentes gerações, alunos, professores e funcionários. Fomos juntando pedaços, vivências, experiências. Construímos um documentário, mas, mais do que isso, construímos um retrato vivo e um olhar novo sobre a nossa própria cultura. E foi tudo isso que levámos connosco.
Em Atenas, fomos acolhidos pela escola 8th Gymnasium of Chalandri e partilhámos muito mais do que trabalhos, partilhámos quem somos. Entre aulas colaborativas e dinâmicas de grupo, houve tempo para a celebração: momentos gastronómicos, danças e músicas tradicionais estreitaram laços entre Portugal e a Grécia. Até nos atrevemos a dançar a “Carrasquinha”, uma dança do nosso folclore, em passos que talvez tenham feito os deuses do Olimpo corar (pela nossa energia ou, quem sabe, por alguma falta de jeito!). Os colegas gregos juntaram-se a nós, assim como participámos também nas suas danças tradicionais.
A “interdisciplinaridade” saiu dos livros para a rua. Houve espaço para descobrir o património da cidade, com visitas a locais emblemáticos como a Acrópole, o Parténon, a Ágora Antiga, o Estádio Panatenaico, os museus e o Observatório Nacional de Atenas, entre outros. No âmbito de uma visita de estudo com a escola anfitriã, conhecemos também a ilha de Aegina, famosa pela produção de pistácios e pelas suas pitorescas ruas históricas.
Das pedras milenares da Acrópole ao céu do Observatório, cada passo foi uma lição de cidadania. Trabalhámos em conjunto, cruzámos perspetivas e, quase sem dar por isso, crescemos, não só academicamente, mas também enquanto pessoas mais abertas ao outro. Percebemos que ser europeu é também isto: partilhar diferenças, encontrar semelhanças e construir pontes. Que o conhecimento não vive separado, que tudo se liga, que não se guarda em gavetas - vive-se em cada esquina, em cada conversa e até em cada petisco típico.
E houve um momento que dificilmente esqueceremos. Longe de casa, mas com a liberdade na voz, cantámos “Grândola, Vila Morena”, assinalando o 25 de Abril. Foi simples, mas foi nosso.
As páginas do nosso Diário de Aprendizagem são o espelho deste percurso. Aqui, entre linhas escritas muitas vezes ao final do dia, moram os nossos pensamentos, as nossas vivências e o registo do que os olhos viram e o coração sentiu. E agora o convite é simples: espreitem-no e descubram este caminho por dentro. Diário de Aprendizagem
As malas voltaram a rebentar pelas costuras, metade memórias, metade pistácios de Aegina, mas nós regressámos mais leves, com novos horizontes no olhar. A escola continua no mesmo sítio, mas nós não: a nossa sala de aula... essa nunca mais voltará a ter paredes. Regressámos com muito mais mundo na cabeça, laços para a vida e o orgulho de uma voz local que se abriu à Europa e cresceu com ela.
Vozes desta partilha:
Ana Morais, Duarte Castro, Gonçalo Gonçalves, Lara Rodrigues, Leonor Ribeiro, Luana Leal, Maria João Pinto e Rui Veiga.